Pelo que tenho observado na evolução dos geradores de vídeo por IA — como o Sora 2, Kling 2.6, Google Veo 3.1, Hailuo 2, entre muitos outros — é inegável que a qualidade visual e a resolução aumentaram significativamente, e que o áudio nativo começa finalmente a surgir como funcionalidade real.
No entanto, existe um grande senão.
O cidadão comum não consegue suportar os custos associados à produção de vídeos de qualidade profissional, acima de 1080p e com áudio nativo, muito menos à criação de curtas-metragens. Os valores envolvidos tornam-se rapidamente incomportáveis. Na prática, a maioria dos utilizadores fica limitada à criação de pequenos reels de 5 ou 6 segundos.
Eis porquê.
Créditos vs. orçamento realista
A maioria destas plataformas funciona com sistemas baseados em créditos: o utilizador adquire uma subscrição ou um pacote mensal que lhe concede um determinado número de créditos, sendo que cada vídeo consome uma parte desses créditos consoante a duração, a resolução e o modelo utilizado.
Mesmo nos planos ditos “premium”, a quantidade de créditos necessária para gerar vídeos com qualidade cinematográfica (1080p, som nativo e movimento complexo) é extremamente elevada — o que se reflete directamente no custo por vídeo.
Modelos de alta qualidade podem exigir entre 300 e 600 créditos por vídeo para resoluções de 720p ou 1080p, mesmo quando se trata apenas de alguns segundos de duração.
A isto soma-se outro problema: muitos vídeos apresentam falhas, artefactos visuais ou erros de coerência, obrigando o utilizador a repetir a geração e a gastar ainda mais créditos em novas tentativas.
Por outro lado, a maioria das subscrições económicas (entre 9,99 $ e 20 $ por mês) oferece apenas mil ou poucos milhares de créditos, o que é útil sobretudo para clipes muito curtos ou conteúdos de redes sociais, como reels e teasers.
Limites das subscrições básicas
Nos planos mais baratos, é comum encontrar:
Limitações severas na resolução e na duração dos vídeos;
Pouca ou nenhuma disponibilidade de áudio nativo sincronizado;
Output tipicamente restrito a 720p e a vídeos muito curtos;
Um modelo de utilização claramente pensado para redes sociais, não para narrativas longas ou produção cinematográfica.
Criar uma curta-metragem coerente, com som, continuidade visual e ritmo narrativo sustentado, torna-se assim extremamente caro e pouco prático para o utilizador comum.
Na prática, seriam facilmente gastos centenas de dólares, somando:
A mensalidade elevada dos planos avançados,
O consumo massivo de créditos,
E o enorme tempo e trabalho necessários para compilar centenas de pequenos clips num único filme, recorrendo posteriormente a software de edição de vídeo.
Não é por acaso que alguns serviços cobram dezenas ou mesmo centenas de dólares por mês apenas para disponibilizar créditos suficientes para gerar um número muito reduzido de vídeos verdadeiramente profissionais.
Silvio Guerrinha


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